Fenômeno passou de Canônico para Modoki, favorecendo chuvas nas duas regiões

O El Niño, fenômeno de interação entre oceano e atmosfera que provoca uma mudança no clima global, vem impactando os volumes de chuvas no Brasil e, consequentemente, os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Além de intensidade e duração, o El Niño é influenciado, ainda, por uma terceira variável: o fenômeno pode ser do tipo Canônico ou do tipo Modoki.

Os impactos do El Niño Canônico sobre o Brasil são bem definidos. As regiões Norte e Nordeste apresentam secas e a região Sul eventos de cheias. A tendência é resultado da característica principal deste tipo de El Niño, que provoca um forte aquecimento na região do Oceano Pacífico centro-equatorial oriental, próximo à costa do Peru, cujos reflexos alcançam as regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Em janeiro de 2016, no entanto, houve uma alteração importante nesse padrão, com chuvas intensas em ambas as regiões. Isso aconteceu porque o El Niño subitamente adotou a configuração do tipo Modoki, associado com forte aquecimento anômalo no Pacífico tropical central e um resfriamento no Pacífico centro-tropical oriental e ocidental.

Figura 1: Anomalia da temperatura da superfície do mar em (a) quando ocorre El Niño Canônico e em (b) quando ocorre El Niño Modoki.

(a)

(a)

(b)

(b)

Fonte: Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology

A consequência foi uma elevação de 11,8 pontos percentuais no nível dos reservatórios do Norte entre a primeira e a última semana de janeiro e de 11,2 pontos no Nordeste no mesmo período. Em ambos os casos, o crescimento mais expressivo foi observado a partir da quarta semana.

 

Fonte: Operador Nacional do Sistema (ONS)

Fonte: Operador Nacional do Sistema (ONS)

A tendência de alta no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas deve continuar até o final de fevereiro. De acordo com as estimativas do Operador Nacional do Sistema, o nível no Nordeste deve aumentar 5,4 pontos percentuais até o final da primeira semana e 27,4 até o fechamento do mês. No Norte, a alta deve ser de 1,8 ponto percentual na primeira semana e de 20,6 até o fim do período. O submercado Sudeste Centro-Oeste também deve seguir a trajetória de alta no nível dos reservatórios, enquanto o Sul apresenta tendência de diminuição gradual no decorrer do mês.

Fonte: Operador Nacional do Sistema (ONS)/ Dados de 01/02/16

Fonte: Operador Nacional do Sistema (ONS)/ Dados de 01/02/16

 

 

 

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