A Grendene é uma das maiores fabricantes de calçados do mundo, dona de marcas como Melissa, Rider e Ipanema, com plantas industriais de grande porte no Nordeste e no Sul do Brasil. O calçado da companhia é injetado, o que significa que a produção depende de injetoras e o consumo elétrico é proporcionalmente muito maior que o de uma indústria calçadista tradicional. Energia não é uma linha qualquer do orçamento: é insumo estratégico e fator de competitividade.
A relação começou em 2010, quando o Mercado Livre ainda engatinhava no Brasil. A Grendene saiu de uma conta única de distribuidora para um conjunto de contas, encargos e contratos que ninguém dentro da empresa dominava. O que a companhia precisava não era só de preço melhor: era de previsibilidade orçamentária e de gestão ativa do portfólio de energia ao longo do tempo. Em quinze anos, os resultados financeiros superaram as expectativas iniciais, sustentados por estratégias personalizadas de contratação.
O passo mais profundo foi a autoprodução, formalizada num PPA de 20 anos com a Comerc Renew. O complexo fotovoltaico de Várzea da Palma, em Minas Gerais, tem 120 MWp de capacidade e R$ 400 milhões de investimento. Dele saem 10 MW médios destinados à Grendene, volume equivalente ao consumo de 75 mil residências, que cobre cerca de 80% da demanda operacional da companhia.
O efeito ambiental acompanha o financeiro: a energia solar do complexo evita aproximadamente 52 mil toneladas de CO2 por ano. Isso conecta a operação diretamente à agenda ESG da Grendene, que mantém uma jornada de sustentabilidade desde 2010 ancorada em oito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Na mesma linha estão o reuso de água nos chillers de produção e a política de resíduo zero em aterro, com 90% dos resíduos reaproveitados na própria produção, tudo publicado no relatório anual de sustentabilidade. Para uma empresa de capital aberto e de consumo intensivo, a energia deixou de ser um custo a administrar e virou parte da tese de competitividade.