O MASP é um dos mais importantes museus de arte do Brasil e da América Latina. Guarda um acervo de 11,5 mil peças e recebe cerca de 18 mil visitantes por semana na Avenida Paulista. Além do papel cultural, a instituição busca ativamente reduzir seu impacto ambiental e se tornar referência de sustentabilidade no setor.
Para ser um exibidor habilitado a receber obras emprestadas de outras instituições, o museu precisa cumprir padrões internacionais de climatização e umidade nas galerias e nas áreas de circulação. Na prática, o sistema opera sem interrupção. Isso transforma a conta de energia numa das linhas mais pesadas do orçamento e num gargalo direto para qualquer meta de redução de consumo. Some-se a isso a pressão crescente sobre uma instituição de grande visibilidade para demonstrar compromisso real, e não declarado, com a sustentabilidade.
A gestão da energia no Mercado Livre com a Comerc começou há oito anos e reestruturou a forma como o museu planeja o orçamento, sazonaliza o consumo e negocia contratos. Os relatórios de consumo passaram a alimentar as decisões do grupo de trabalho de sustentabilidade, que produz e publica o inventário de carbono do museu anualmente desde 2019, seguindo o protocolo GHG. Na mesma época o museu adotou a prática de aterro zero.
A fase atual amplia a parceria para um projeto de descarbonização completa. São 2.900 toneladas de CO2 a serem neutralizadas nos escopos 1 e 3 por meio de créditos de carbono, e 19.285 MWh de consumo de energia neutralizados com I-RECs. A operação passa a ser carbono neutro entre 2025 e 2030, com os créditos cedidos por patrocinadores, e o resultado é certificado por empresa especializada. O investimento do museu em sustentabilidade cresceu 155% entre 2024 e 2025.
A leitura interna é de política permanente, não de projeto com data para acabar. A descarbonização atravessa desde o transporte de obras de arte até a destinação do lixo, e coloca o MASP como referência do que uma instituição cultural pode fazer nessa pauta.